[Ratio Puta]
Um blog com artigos de Felipe Simões Pires.
 

Sunday, September 10

Ilusão Rio-Grandense

Ao assistir à parte nacional do horário eleitoral, resta-me uma dúvida cruel: o Rio Grande não pertence ao Brasil ou não necessita de nada que venha do Governo Federal? Visto que nenhum candidato apresenta nenhum projeto para o Estado, nem exibe gaúchos orgulhosos de votarem no postulante à presidência ou exaltando o que fez por nós, uma das respostas acima parece ser definitiva.

 

Geraldo Alckmin fez muito pelos brasileiros de todos os cantos e que moram em São Paulo, menos gaúchos. Lula ajudou uma enormidade de pessoas pelo Brasil afora, menos na Província de São Pedro. Todos querem ou já estão providenciando novas linhas de metrô por todo o País, menos por aqui. Até para denunciar, mostram como há gente desamparada por toda a Terra de Santa Cruz, menos no canto setentrional dela.

 

Poderíamos então deduzir que o Rio Grande ainda não foi incorporado ao território brasileiro ou dele já se desmembrou. Dessa forma, os eleitores rio-grandenses não votariam em nenhum dos presidenciáveis, por não terem direito a voto nas eleições brasileiras e nem a estes interessaria fazer campanha para quem neles não poderia votar. Bueno, sabemos que pertencemos ao mesmo país da dona Maria, do seu João e de todos os personagens apresentados nos programas políticos. Logo, a primeira hipótese está excluída.

 

Na segunda possibilidade, estaria justificado por que ninguém se preocupa com outra linha de metrô para Porto Alegre, não apresenta cenas de estradas esburacadas no nosso interior, não se comove com pobres em nossas periferias. Simplesmente, nosso(s) metrô(s) atenderia(m) perfeitamente a nossas necessidades, nossas estradas são de primeiro mundo e não temos pobres nas periferias. A evidência empírica de qualquer cidadão gaúcho rejeita a segunda hipótese, pois.

 

Seria, portanto, que os brasileiros têm uma imagem superestimada de nossa pujança econômica e uma visão subestimada de nossas necessidades? Que acreditam que não somos prioridade para nada? Que nossos pobres ou nossas estradas são menos dignos de atenção que os “dos outros”? Seria que nosso orgulho nos impede de implorar por recursos e preferimos minguar de cabeça erguida? Seria que acreditamos sempre sermos capazes de resolver nossos problemas sem “interferência externa”?

 

Seja qual for a assertiva correta, temos algumas opções: mendigarmos os cuidados do Governo Federal, tomarmos a frente na política brasileira, buscarmos mais autonomia ou deixarmos tudo como está.

Publicado nos jornais Agora (Rio Grande-RS), Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul-RS) e A Platéia (Santana do Livramento-RS)

posted by: fsp | 13:39 | comments (1)

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