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Saturday, August 26 O Brado dos HipócritasGünter Grass não é um monstro, mas um homem honrado. Aquele que, após numerosos anos, consciente das conseqüências, faz uma confissão é corajoso, decente e perdoável. Aqueles que o condenam, que confortavelmente o julgam, como se ele fosse a encarnação de todas (passadas e presentes) as maldades alemãs, são covardes e hipócritas. O escritor, que à época tinha 17 anos (imaginem: 17!), participou da SS no final da guerra. A guerra acabou e ele (não eu, você ou seus recentes julgadores) teve que conviver com as lembranças daquele tempo por uma vida inteira. O tempo passou, ele viveu praticamente uma vida toda; o Mundo continuou girando e, apesar de tanta coisa ter acontecido, as recordações o perseguiram a vida inteira. O calar e o arrependimento nao precisam ser necessariamente contraditórios. Enquanto o jovem Grass crescia, refletia, se arrependia, passaram infindáveis anos, nos quais ele pôde raciocinar sobre as conseqüências de uma confissão. Enquanto isso, estávamos todos sentados em casa sem culpa alguma. Ou não. Quase não há famílias alemães que não têm nada a ver com o tempo do nazismo. Todos foram afetadso de alguma maneira pela guerra; alguns como nazistas, outros como perseguidos pelo regime nazista (sem falar nos soldados recrutados à força). Por isso, o caso Günter Grass se torna tão emotivo. As opiniões são apaixonadamente a favor ou contra e o autor de „Descascando Cebolas “ converteu-se instantaneamente no símbolo de um tempo que todo alemão, o tempo todo, combate. Quantos outros Grass existem na Alemanha? Quantas pessoas não tiveram coragem até agora de fazem tal confissão pública? Quantos ex-combatentes da SS já não morreram, sem que sua própria família soubesse disso? E quantos desses não estão atacando o autor agora impiedosamente? O trabalho do romancista, que elevou o nome da Alemanha no exterior e propagou idéias contrárias ao nazismo não será apagado de uma só vez. Nem a humanidade do velho Grass pode ser simplesmente jogada fora. Isso não se pode fazer. |
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