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Sunday, December 26
Todos aqueles que esperavam ansiosamente que o Governo Lula comprovasse sua incompetência administrativa foram contemplados com os resultados do primeiro ano do mandato. Muitos estão boquiabertos com os números positivos ao final deste ano, mas não devem iludir-se.
A inexperiência administrativa, o despreparo da equipe de governo e a nomeação de inúmeros “losers” companheiros foram o suficiente para um início caótico, apesar da existência de um consistente projeto de poder.
As peripécias de alguns ministros como Ricardo Berzoini e José Graziano davam indícios de um final glorioso para aqueles que não gostariam de ver o Brasil novamente nas mãos do PT. Brigas internas, inflação em alta, desemprego crescendo e banqueiros felizes apontavam para o fim.
Eis que a indústria se recupera, o desemprego cai e os empresários começam a reclamar. Sinais de um governo popular de sucesso? Absolutamente não. Os efeitos superficiais de recuperação podem ser facilmente explicados opostamente ao senso comum, mas o clima de euforia generalizada é que se constitui no elemento mais preocupante.
A “retomada econômica” é facilmente explicável pela teoria de ciclos econômicos e era previsível. Quer dizer que a indústria brasileira, apesar de estrangulada, ainda consegue fazer bom uso das oportunidades conjunturais. As queixas do setor produtivo devem-se justamente a esse estrangulamento.
Ao mesmo tempo, o Governo Federal lança mão de uma forte campanha de propaganda ufanista (e nisso eles são bons), que serve para encobrir novas trapalhadas, conflitos internos, amoralidade e desmascaramentos das demagogias desta administração.
Recentemente, o enterro do “Fome Zero” e as irregularidades do “Bolsa Família”, junto com a pesquisa do IBGE que desvelou a falácia da má alimentação dos pobres (que, em novo jogo de manipulação semântica, o governo batizou-a de “fome gorda”), foram preteridos em favor do “maior crescimento dos últimos dez anos” (possível pelo mínimo de sensatez que há na condução da política econômica em um clima de “fundo do poço”).
Por fim, surge a possibilidade de um novo golpe político (a exemplo do que fez FHC com a reeleição para si mesmo) através do prolongamento do mandato do Presidente. É, não estamos lidando com amadores...
Mas o Governo é de todo ruim? Nem tanto. Graças à esquizofrenia patriótica e a megalomania partidária, o Brasil tem ocupado algumas posições de relevo no cenário internacional, que podem vir a ser interessantes no futuro.
posted by: fsp | 05:45
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