[Ratio Puta]
Um blog com artigos de Felipe Simões Pires.
 

Wednesday, April 07

E começa a Guerra

 

Antes da invasão, calculava-se a quantidade de tropas “leais” a Saddam Hussein, previa-se resistência atroz e dificuldades severas para o exército da coalizão. Mas as primeiras semanas de combates desmentiram todos aqueles que, ao invés de tecer comentários realistas, “torciam”.

 

Com sucesso total na empreitada inicial, os Estados Unidos depuseram o ditador iraquiano, “libertaram” o Iraque, pulverizaram a exaltada Guarda Republicana e tiveram tempo de planejar a administração interina do País, enquanto saques e pilhagens aconteciam.

 

Alguns torcedores ficaram entusiasmados com as “forças da resistência”, (meia-dúzia de gatos pingados terroristas) com ataques esparsos contra os ocupantes. Porém, a operação ainda parecia uma daquelas que os israelenses fazem de vez em quando na Palestina. Alguns atiram pedras, outros prometem vingança e as tropas passam indiferentes.

 

Agora, contudo, desenha-se uma situação bastante diferente: a guerra parece tomar seus contornos iniciais, assustadores para quem esperava uma rápida transição.

 

Os ataques terroristas e as raras ofensivas guerrilheiras passam a ser substituídas por guerrilhas permanentes e confrontos diretos. Começam a ser identificados os grupos resistentes e seus líderes, sendo que xiitas e sunitas lutam guerras separadas, sem articulação comum, tornando-se uma dificuldade a mais para os EUA.

 

Após o recente ataque público e bárbaro a soldados americanos, em Fallujah (triângulo sunita), acontece o maior choque entre tropas americanas e iraquianas desde o início da “guerra”. E, como conseqüência de uma ordem de prisão contra o líder xiita al-Sadr, formou-se um bolsão de resistência para protegê-lo, onde todos estão dispostos a lutar até a morte.

 

A cada medida corretiva, visando à solução de um problema, parece ser criado outro. Em um país sem a mínima tradição de democracia, a sua instituição não é um apelo convincente, para os locais, da necessidade de prolongar a ocupação.

 

Em bom português: como fruto de sua obsessão, George W. Bush embananou-se e não sabe como sair da confusão.

 

Talvez o governo estadunidense esteja com muita vontade de se livrar do abacaxi, mas está enredado no dilema entre se render aos fundamentalistas e deixar o trabalho pela metade (perdendo a oportunidade histórica de revolucionar a política no Oriente Médio) ou seguir em frente em uma guerra cada vez mais desgastante em termos militares, políticos e religiosos.

posted by: fsp | 07:29 | comments (1)

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