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Thursday, February 26
Financiamento público e lista? Comigo não!
Ano vai, ano vem e as bravatas na política continuam as mesmas. Eu já vi alguém criar uma taxa PROVISÓRIA sobre as movimentações financeiras para ajudar a saúde e cri. Já vi alguém dizer que o dinheiro das privatizações sanaria parte da dívida e cri. Já vi alguém pregar que representava a moral e a ética na política e cri. Chega de ser idiota!
Depois do recente episódio da Reforma Tributária, onde se dizia que ela desafogaria todo mundo, só vi os bolsos do senhor Waldomiro Diniz desafogados. O Estado do Rio Grande do Sul, que estava em estado pré-falimentar, foi definitivamente à bancarrota. E a reforma que centralizou mais ainda a arrecadação contribuiu com isso.
Agora, além da proibição dos bingos - que além de causar um desemprego imediato de centenas de milhares de pessoas, certamente não acabou nem acabará com as operações de lavagem de dinheiro – aparecem mais duas soluções mágicas para o País, que seriam o financiamento público das campanhas e a votação por lista.
Em um país onde a arrecadação de impostos beira o assalto ao contribuinte, defende-se a idéia de que usar o dinheiro público (alguém falou de onde sairá?) para custear campanhas eleitorais resolveria o problema das irregularidades nas mesmas. Anos atrás, talvez cresse que, pela providência divina, dar mais dinheiro àqueles que o desviam os faria pensar que já têm o suficiente e não valeria a pena desviar mais. Hoje não.
Se grande parte do dinheiro arrecadado, diz-se, é desviado para caixas 2, ou omitido de prestações de contas, por que a sangria haveria de ser estancada pelo simples recebimento de dinheiro público? Estamos pressupondo um respeito pelo dinheiro do contribuinte? Não me parece que o dinheiro levantado pelo senhor Diniz tenha constado nas prestações de contas dos candidatos para quem “arrecadou”.
Quanto à votação em listas, não deveria nem ser debatida em um país que diz viver sob uma democracia. Trata-se, simplesmente, de negar ao eleitor o direito de votar no candidato que preferir, passando às cúpulas de dirigentes partidários o poder de decisão sobre elas.
Até prova em contrário, creio na diferença entre os seres humanos e que essa diferença seja o grande propulsor dos avanços da humanidade. Restringir as candidaturas a ordens burocráticas que devem passar pelo cunho da conveniência partidária significa relevar a segundo plano a importância que podem ter as idéias próprias e a identificação que essas possam ter junto ao eleitorado.
Em suma, entre escolher dentre as propostas de um candidato (que são variadas entre candidatos de um mesmo partido), serei obrigado a optar pela legenda que menos me desagrade, caso nenhuma me agrade, e ela decidirá qual candidato merece meu voto.
Publicado no Jornal Agora (Rio Grande-RS)
posted by: fsp | 07:33
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