[Ratio Puta]
Um blog com artigos de Felipe Simões Pires.
 

Wednesday, February 04

Controle Externo no Executivo?

 

Quando era guri, minha mãe me contou uma estorinha sobre dois homens que carregavam seus defeitos em mochilas. O que ia atrás, apavorava-se com a quantidade de defeitos do que ia à frente, mas não podia ver os seus próprios às costas. Ao que parece, a senhora Da Silva nunca contou essa alegoria ao seu filho Luisinho, ou, se contou, deve estar morrendo de vergonha dele.

 

O ex-candidato à presidência, o mesmo que criticou continuamente a “falta de vontade política” daquele que viria a ser seu antecessor, merece dura reprimenda, pois, se criticava com propriedade, padece do mesmo mal; se não, foi irresponsável ao olhar apenas para a “mochila” de Fernando Henrique.

 

Pois, esta semana, na abertura dos trabalhos do Judiciário, o chefe máximo da nação voltou a utilizar sua visão privilegiada sobre os defeitos alheios. A mesma que vem falhando freqüentemente na hora de analisar a maioria das áreas do Governo.

 

Baseado na estória supracitada, seria conveniente meditar sobre os argumentos presidenciais para o tal controle externo do Judiciário.

 

É verdade que há muita burocracia nesse poder? É claro que é. Exatamente como no mais burocrático dos poderes, aquele que não apenas a pratica como a incentiva e, agora, está dando inveja ao falecido Stalin pelo que está fazendo com os cargos públicos do País. O Executivo.

 

É verdade que muitos juízes se enchem de arrogância e cegueira em virtude do cargo? Naturalmente. Eis uma triste conseqüência do poder em todas as suas formas. Como não será com aquele que é o homem mais poderoso do Brasil?

 

Há corrupção no Judiciário? Infelizmente, há. Ao que sei, em nível absurdamente menor aqui no Rio Grande. Mas pensem em qual poder vocês acham que há, tradicionalmente, mais corrupção, se no Judiciário, no Legislativo ou no Executivo.

 

Já está na hora de alguém denunciar a batalha travada pela Presidência da República para enfraquecer os demais poderes e centralizar decisões nas mãos da Santíssima Trindade (Lula, Dirceu e Palocci), como fizeram esta semana as associações que representam o setor elétrico.

 

Um país onde o Parlamento está na mão do Executivo, por meio de trocas imorais por cargos, e os juízes estarão sob um controle de sei-lá-quem (provavelmente mais alguns companheiros que paguem dízimo ao Partido), o que temos é ditadura.

 

Publicado no jornal A Plat驡 (Santana do Livramento-RS) e DiᲩo Popular (Pelotas-RS)

posted by: fsp | 08:27 | comments

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