|
Saturday, January 31
Interessante é o caso envolvendo a absolvição de Tony Blair no caso Kelly e a demissão de funcionários da BBC como conseqüência. Permite-nos reavaliar alguns pontos e fazer comparações e conjeturas. O cientista que teria afirmado à emissora londrina que Tony Blair tinha conhecimento de Saddam Hussein não ser o perigo que alardeava e que se suicidou logo em seguida, foi motivo de muita especulação envolvendo o nome do primeiro-ministro inglês. Uma investigação parlamentar se seguiu para apurar o grau de envolvimento de Blair no caso, sendo totalmente inocentado no chamado Relatório Hutton. Revelada a apuração, as primeiras medidas tomadas pela televisão inglesa foram as destituições do jornalista que fez as acusações e do diretor da programação que as veiculou. Convém neste momento ressaltar o profissionalismo da BBC. Emissora estatal (um dos últimos ranços do poder do Estado sobre os indivíduos ingleses), teve uma postura isenta diante dos fatos, sendo capaz de veicular acusações contra seu chefe-mor. Dadas como falsas, não titubeou e puniu os responsáveis por elas. Apesar de alguns oposicionistas ingleses creditarem a absolvição de Blair a pressões políticas, a exoneração de Dyke foi mais prejudicial à imagem do premiê, cuja renúncia era mais desejada pela opinião pública do que a queda do carismático editor. Num caso semelhante, como procederiam as emissoras brasileiras? Em iguais dimensões, apenas conjetura-se, mas pode-se lembrar dos episódios Fernando Collor e Ibsen Pinheiro, absolvidos pela Justiça comum, sem uma palavra de retratação nos meios de comunicação que veicularam suas “culpas”. Não cabe discutir se eram ou não culpados. A Justiça os declarou inocentes. Entretanto, a maior rede de televisão brasileira, protagonista central da queda do ex-presidente, insiste em atribuir ao povo o caráter revolucionário de sua derrubada. De um jornalismo que produz pseudo-heróis como Tim Lopes – o jornalista fazendo o papel da polícia, sem o devido treinamento para tanto e zombando do poderio dos criminosos até que lhe mostrem quem realmente manda – poderia-se esperar reação semelhante ao caso britânico? Ou será que veríamos (novamente) a omissão dos nomes ou a exaltação dos “repórteres”? Publicado no jornal A Plat驡 (Santana do Livremento-RS) posted by: fsp | 12:51 | comments (1) |
thanks to squidfingers for the background