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Monday, January 26
Argentina, Uruguai e Paraguai. Dá-lhe. Nada mais lindo que outra eliminação brasileira no futebol. Um país que ainda não aprendeu que o futebol evoluiu e tornou-se algo sério, disputado e ganho pelo que mais se dispuser a ganhá-lo, realmente merece perder sempre. Belos tempos de Garrincha e Pelé, onde as equipes jogavam com quatro, cinco atacantes e ganhava o que tivesse maior habilidade. Época em que o futebol "profissional" era uma mera pelada. Passados 46 anos do primeiro título mundial conquistado pelo Brasil, o futebol tornou-se um esporte altamente profissionalizado, onde não há espaço para displicência, amadorismo ou puro "futebol arte". Apesar dos títulos conquistados com seleções equilibradas taticamente (70, 94 e 2002), o brasileiro ainda não aprendeu que reunir peladeiros de habilidade não ganha título. A cada eliminação brasileira de algum campeonato, o diagnóstico é sempre igual: o time brasileiro é tecnicamente superior, faz belíssimas jogadas, marca preguiçosamente, dá dribles adicionais desnecessários, ganha de meia-dúzia de mortos e perde para um time que joga com coração, dedicação, marcação e objetividade. Mas o brasileiro não aprende. Uma seleção que tem Robinho e assemelhados é garantia de um futebol bonito, de chapeuzinho na lateral do campo, de drible no círculo central, de belas jogadas e de goleadas contra equipes de fraca capacidade ofensiva. Porém, deixar o adversário jogar, não saber como se comportar diante da catimba, marcar à distância e montar agrupamentos (ao invés de seleções) de jogadores habilidosos é a garantia de derrotas "surpreendentes", de cartões desnecessários e eliminações. O brasileiro, ao contrário do gaúcho, foi brindado com uma natureza de jogadores espetacularmente habilidosos, mas sem nenhuma noção de coletividade. Seguro de sua superioridade, para ganhar, apenas entra em campo. Simultaneamente, a maioria dos países sul-americanos carece de craques, mas - exatamente por isso - tem consciência de sua limitação e dispõem-se a dar sangue por uma vitória. Foi o que vimos, mais uma vez, no Chile. Apesar de contente com mais um fracasso do amadorismo futebolístico brasileiro, não tenho esperanças de que (mais) esta lição mude o modo que os brasileiros concebem o futebol. Continuarão acreditando que futebol profissional e pelada são a mesma coisa, que futebol objetivo é desprezível por que é feio, que dedicação é violência e que habilidade (sem garra) ganha campeonato.
Publicado no Jornal Agora (Rio Grande-RS) posted by: fsp | 12:35 | comments (1) |
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