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Wednesday, January 14
Tergiversando
Durante os anos 8 a 1 a.L. (antes de Lula), ou seja, sob a dinastia Cardoso, costumava-se rir dos aplausos efusivos que o ex-presidente Fernando Henrique recebia em seus habilidosos discursos em viagens internacionais, atacando as desigualdades e contando como fazia por aqui.
O motivo dos risos era, obviamente, a constatação de que a fala de FHC não correspondia às expectativas internas do País e que seu jargão sociológico servia apenas para agradar europeus que se sentiam culpados em relação à pobreza terceiro-mundista.
Já atravessamos 25% do mandato de Lula, sem que se possa dizer que suas ações no governo tenham sido condizentes com seu discurso. Porém, a cada viagem nacional ou internacional (ultrapassando o criticado número de seu antecessor), o atual presidente repete seu discurso de campanha, de posse, do Fórum Social Mundial (todos), do Fórum Econômico de Davos e todos os outros realizados anteriormente. Por que ninguém ri?
Talvez estejamos ainda inebriados pela overdose de propaganda (ou seria publicidade?) realizada em campanha e continuada após a posse, ou também, anestesiados pela recente simpatia dos grandes meios de comunicação pelo ex-operário.
Seja como for, quem não se ativer apenas aos releases da assessoria de imprensa do Governo Federal, ao discurso de seus membros ou a seus programas de rádio e televisão, constatará que estamos frente a uma gestão que vive tão-somente do carisma do presidente. Em linguagem futebolística – como gostaria nosso chefe maior –, trata-se de um time ruim, onde o "craque" joga para a torcida, driblando e perdendo gols, mas fazendo a alegria dos aficionados.
Após um ano no comando do País, já é possível contabilizar uma série de exemplos, nos quais a "parte suja" do serviço era feita pelos serviçais do Governo, enquanto o camisa 10 dava janelinhas à lateral do campo.
Se perguntarmos à "torcida", quem são os pernas-de-pau do time, a escalação sairá de cor (Berzoini, Benedita, Palocci, Dirceu, Genoino...), mas, ao contrário do que pensa o senhor presidente, este não é um jogador que pode ficar alheio ao que faz o resto do time. É o treinador.
É possível que o comandante máximo da nação discorde da política econômica de Palocci, com a viagem de Benedita (autorizada por ele), das medidas anunciadas por Berzoini, da mão-de-ferro de Dirceu e Genoino? Ou estaríamos diante de mera tergiversação?
Não sei, mas enquanto o representante do Governo (José Dirceu) anunciava o acordo com o FMI, Lula discordava em outro continente. Ao final, o acordo foi ou não firmado?
posted by: fsp | 13:50
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