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Wednesday, January 14
Retratos da Insegurança
Cena inusitada: venho pela calçada quando avisto uma viatura policial, quase em frente à sinaleira, parando com um problema no câmbio. Às pessoas que passam, vendo a cena, abrem um discreto sorriso. Um policial desce do carro para empurrá-lo. Ninguém esboça qualquer movimento no sentido de auxiliar, como talvez fizesse caso isso ocorresse com um cidadão comum. Eis como é vista a polícia.
Há indícios copiosos de que a população enxerga as instituições policiais como meras forças repressoras, jamais como um aliado. Situação acentuada em regiões de periferia. Tenha-se em mente, também, que uma quantidade absurda de crimes ocorridos sequer é comunicada às autoridades competentes.
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Outra desatenção. A opinião pública surpreende-se com as falhas na investigação dos crimes de Soledade, quando, na verdade, a repercussão do caso apenas serve para expor dificuldades diárias, repetidas em centenas de outros casos que não ganham manchetes nacionais.
Fruto de dificuldades financeiras, descaso ou o que for, as condições de trabalho que envolvem a Justiça são precaríssimas. Em um país onde um total ínfimo de crimes é solucionado, as luzes sobre o caso do maníaco no norte do Estado evidenciam os motivos e os passos que conduzem à ausência de solução dos delitos.
A falta de profissionais indispensáveis (exemplificada na demora com os exames de material genético recolhido), a falta de coordenação entre as unidades (sendo Adriano da Silva suspeito de crimes em várias cidades), a carência de efetivo policial (com a prisão obtida apenas quando de uma mobilização policial extraordinária) e diversos outros entraves à eficácia dos meios de que dispõe a sociedade.
Outrossim, convém recordar que algumas das crianças tornaram-se vítimas por estarem permanentemente nas ruas, desguarnecidas, atrás de esmolas ou programas sexuais. Isso chama atenção a outro ponto fraco da sociedade, que vitimou esses meninos e muitos outros, que é a falta de políticas sociais eficazes.
Não é todo dia que aparece um serial-killer para trazer à luz um sem-número de falhas do Estado. Faz-se mister, então, que o fato seja analisado de forma ampla, servindo de exemplo para a solução do assalto à padaria na esquina até novos adrianos. Ou, fatalmente, estaremos repetindo estas mesmas queixas daqui a um tempo.
posted by: fsp | 13:48
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