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Friday, January 09
Qual é o problema?
Notícia que vem repercutindo na imprensa brasileira e mundial, o fichamento recíproco de cidadãos estadunidenses e brasileiros em ambos países não pode ser visto da maneira que vem sendo. Não estamos tratando apenas de uma questão de egos.
Se o governo dos Estados Unidos não excluiu o Brasil da lista de países cujos nacionais deveriam ser identificados com maior cuidado, não foi por acaso. Os analistas que vêm defendendo que não há explicação para tal ação são desinformados ou omissos.
É sabido que o passaporte brasileiro é o mais valorizado no mercado negro, pelo fato de qualquer pessoa poder se passar por um, dada a característica multirracial do país. Não bastasse isso, há anos que sabemos que existe, de fato, o livre trânsito de terroristas na região da Tríplice Fronteira, mas, irresponsavelmente, insistimos em negar, quando o correto seria agir com firmeza na fiscalização e não deixar margem para país algum pôr em dúvida a segurança na região.
Há também o aspecto político, visto que o governo Lula vem cortejando seguidamente nações que contam com pouca simpatia do governo norte-americano, mas, principalmente, que possuem um histórico de patrocínio ou apoio ao terrorismo, como Líbia, Cuba e a própria luta palestina. Sem contar que a negativa de Lula em considerar as FARC grupo terrorista ainda não foi digerida.
Razões, portanto, abundam para a preocupação ianque, ainda mais depois que o chefe dos assessores do presidente, Marco Aurélio Garcia, numa declaração infeliz e desnecessária, ofereceu asilo a Saddam Hussein. Provocações infantis, de criança birrenta, resultaram na inclusão brasileira, muito mais justificada que a da África do Sul, por exemplo, também integrante da lista. O que é passível de discussão é que países como Alemanha, França e Espanha, com sérios problemas com terrorismo estejam fora.
No entanto, a sentença da Justiça Federal, que devolve na mesma moeda a atitude estadunidense – que é vingança, sim, e não reciprocidade diplomática – também é justificável. Se um país suspeita dos habitantes de outro, por que a recíproca não pode ser verdadeira? Se os brasileiros são constrangidos ao desembarcarem nos EUA, qual seria o argumento para que não o fossem os americanos aqui desembarcados?
No final, ganham os americanos, prevenindo-se de eventuais terroristas e ganhamos nós, em termos de segurança. Afinal, o país do norte não tem um histórico de produzir terroristas, mas serial-killers...
Publicado na Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul-RS)
posted by: fsp | 12:18
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