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Monday, December 29
Aspirações Megalomaníacas
Notícia publicada no jornal americano The New York Times, neste domingo, merece atenção especial e uma análise mais ampla. A matéria dá conta de uma resistência brasileira a inspeções nucleares, após comunicar a intenção de começar a produzir urânio enriquecido até o ano que vem.
Ao que se sabe, o programa nuclear brasileiro é um patético trabalho em cima de reatores e técnicas ultrapassados. Por que, então, tal indisposição? Medo de que o resto do Mundo saiba que nada se sabe? Muito dificilmente.
Os argumentos tupiniquins para não se abrir a inspeções são legítimos. É um membro regular de todas as organizações mundiais e não participa de uma guerra há séculos. Sendo assim, não haveria a necessidade de submeter-se a um "protocolo adicional", como o fizeram Iraque e Líbia.
Sim, diplomaticamente não há motivos para se discutir a posição brasileira. Porém, é hora de se questionarem algumas verdades. Quem tranqüilizou o jornalista do NYT, dizendo que o enriquecimento de urânio tem como finalidade abastecer alguns reatores de pequeno porte, foi o Ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral. O mesmo que disse, ao início de 2003, que o Brasil deveria construir uma bomba atômica. Lula criticou publicamente o Tratado de Não-Proliferação Nuclear em campanha.
Deve-se pôr em dúvida, então, também a suposta vocação pacífica do País, pois, todas as vezes em sua história, quando se esgotaram (ou não) as vias diplomáticas, o Brasil não pestanejou antes de entrar em uma guerra. Foi assim na expansão de fronteiras, na tomada do Acre, na Guerra do Paraguai e na Segunda Guerra. Ou seja, se o Brasil não entrou em muitas guerras, foi porque não teve muitas oportunidades.
Então, chega-se a principal verdade em questão. O Brasil é um país de aspirações megalomanícas. Sempre foi. Já nasceu como um império, buscando expandir-se sobre os vizinhos. Um típico caso de imperialismo. Todas as vezes que se fala sobre os anseios brasileiros, os termos ufanos falam de uma "grande potência", um "gigante" adormecido, o "país-continente", e assim por diante. O hábito de falar mal do país entre os nativos, talvez se deva muito mais a um recalque por não ser tudo que sonham do que um sentimento de pequenez.
Nunca passou pela cabeça dos brasileiros construir um país razoável, onde se tivesse uma distribuição de renda adequada e só. Não, a vontade é sempre de tornar-se um berço de poder, capaz de rivalizar com as grandes potências, mandar em todo o continente e delírios do tipo.
Portanto, não me admira que os Estados Unidos sejam vistos como um vilão imperialista, mas as ingerências brasileiras em questões de outros países e a suposta liderança brasileira na América do Sul sejam aplaudidas, bem como o gigantismo da indústria nacional, o PIB de primeiro mundo e tudo isso sem mudar em nada a vida da maior parte da população.
posted by: fsp | 12:35
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