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Saturday, December 20
O Rei está Nu
Às vezes é preciso que alguém de fora nos aponte o óbvio, o evidente, mas que poucos se dão conta. Mais que um defeito, isso é uma característica natural do ser humano. Quantas vezes não se compreendeu melhor uma situação pessoal quando vista de fora?
Pois em recente seminário sobre segurança pública que participei, o único palestrante estrangeiro do evento indicou um dos grandes problemas do Rio Grande do Sul no trato com seus problemas na área. Atribuiu à prisão mental de nossos governantes ao trabalho sob uma visão de "marco Brasil" e apontou o abismo de particularidades do Estado para convidar-nos a tratar nossas questões diferentemente, na condição de país.
Eu iria além. Não é apenas na área de Segurança Pública que podamos nossa capacidade de progresso por atermo-nos a modelos únicos brasileiros. O Rio Grande é uma região em constante crise de identidade; sempre foi. Agimos como gaúchos, mas nos vemos brasileiros; sentimos como gaúchos, mas pensamos como brasileiros.
Independentemente da condição política, deveríamos desatarmo-nos das amarras psicológicas que nos impedem de trabalharmos com autonomia, sob o eterno medo de parecermos separatistas. Às favas com as aparências! O Rio Grande tem necessidades próprias, como Amazonas também tem. Se não é possível que apliquemos formulas iguais para o Sul e o Norte do Estado, como obteremos êxito copiando fórmulas do Eixo Rio-São Paulo?
Urge, pois, uma nova consciência em nossos administradores, de pensar políticas públicas em nível de Rio Grande e aplicá-las como tal. A Federação Brasileira pode até nos tachar de prepotentes, auto-suficientes ou, até, separatistas. Porém, não será onerada de nossa (enorme) contribuição em impostos e será presenteada com iniciativas paradigmáticas. Nós, em contrapartida, estaremos tratando mais adequadamente nossos cidadãos.
Publicado na Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul-RS)
posted by: fsp | 12:22
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