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Friday, December 19
16 x 1
Não costumo escrever sobre futebol, todos sabem. Quando tinha uns 14, 15 anos, assistia desde segundona do gauchão até os campeonatos europeus e estava sempre mais informado que a maioria dos comentaristas. Já treinei meu time amador, conheço um pouco a parte tática. Mas tem gente que parece não saber nada de futebol.
Para o Grêmio, este foi um ano que, ao contrário do que dizem muitos gremistas e alguns cronistas, não deve ser esquecido. Foi um exemplo de tudo que não deve ser feito em um clube que não aspira ao fracasso absoluto. RidÃculo seria cobrir as causas do fracasso contÃnuo ao longo do ano pelo resultado triunfante das últimas rodadas.
O Grêmio, endividado por gestões anteriores (primeiro erro), foi assumido por um presidente de péssimo retrospecto (segundo erro), por motivos polÃticos internos do clube (terceiro erro). O fracasso era previsÃvel, mas tornou-se mais ainda quando, após a negativa de todos os nomes aceitáveis para assumir o Departamento de Futebol, Flávio Obino nomeou dois amigos (quarto erro) de capacidade questionável (quinto erro).
Pelo começo, parecia que tudo daria errado. E deu. Não se definiram uma filosofia de trabalho (sexto erro), nem as atribuições de dirigentes e treinador (sétimo erro), deixando uma área de poder a ser disputada entre eles. Após a dispensa de um profissional consagrado como Paulo Paixão (oitavo erro), a direção trapalhona contratou um preparador de maratonistas (nono erro), que conduziu um trabalho que findou por minar a resistência fÃsica dos jogadores.
O processo de destruição do Grêmio começou a trazer resultados, como a lanterna no Campeonato Gaúcho, feito inédito, que os dirigentes trataram de não dar a devida ênfase corretiva (décimo erro), centrando os trabalhos em um campeonato de peixes-mortos (exceto times argentinos e brasileiros), que é a Libertadores, onde acabou eliminado por um deles.
O time que ganhava as manchetes muito mais freqüentemente por escândalos entre dirigentes, jogadores e comissão técnica mostrou a cara de sua "filosofia" para o Campeonato Brasileiro. Depois de perder vários jogadores consagrados (Polga, LuÃs Mário e Gilberto – décimo primeiro erro), por atrasos salariais (décimo segundo erro), fez contratações de jogadores que não apresentavam uma caracterÃstica comum sequer (Marcos Paulo, Amaral, BasÃlio, Eduardo Marques, Carlos Miguel, Caio, Jorge Mutt, Flávio – décimo terceiro erro) e de um treinador (DarÃo Pereyra) de proposta totalmente diversa do anterior (décimo quarto erro).
Apesar da evidente falta de competência dos dirigentes e dos maus resultados em campo, trocou-se o Departamento de Futebol como se fosse a solução mágica (décimo quinto erro) e passou-se a transferir a culpa pela campanha vexatória para os treinadores (décimo sexto erro). Não bastasse esse reducionismo tÃpico da cartolagem brasileira, o perfil dos treinadores a seguir (Simionatto e Adilson), mais uma vez radicalmente diferente, demonstrava a ausência de qualquer convicção dos dirigentes.
Enfim, as medidas desesperadas que salvaram o Grêmio do rebaixamento (primeiro acerto), não podem servir como pano de fundo para a manutenção da incompetência à frente de um time que comemorou (?) de forma melancólica seu centenário.
Neste jogo de erros e acertos, perdido por 16 a 1, não se pode consagrar o artilheiro de 17 gols, pelo único que não fez contra.
posted by: fsp | 12:51
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