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Monday, September 22
Um Apelo por Razão
Não surpreende mais ninguém ouvir alguém afirmar uma posição e, questionada sobre a mesma, não saber explicá-la, ou demonstrar um profundo desconhecimento sobre o que fala. Eis um mal generalizado.
Estamos vivendo em tempo e espaço onde a coisa mais natural é que a "opinião" substitua os fatos, os argumentos e o conhecimento de causa. Hoje em dia, qualquer um diz que o céu é vermelho e se defende dizendo que essa é a sua opinião.
Se isso se restringisse a comentários esdrúxulos sobre a cor do céu ou a qualidade de um jogador de futebol, menos mal, mas essa mentalidade está espalhada por todas as áreas, principalmente as que mais deveriam demandar uma boa ciência do assunto sobre o qual se fala.
"Eu sou contra" e "eu sou a favor" – claro que o primeiro em maior quantidade – são as afirmações definitivas que mais se ouve, ignorando que um pensamento acabado – se é que isso é possível – decorre de uma elaborada idéia sobre um assunto, de consultas aos mais diversos pontos-de-vista sobre ele e, por fim, uma análise crítica e consciente.
Mas não, a questão pode ser a mais complexa do Universo que, com ou sem estudo prévio da questão, todo mundo afirmará alguma coisa. É contra a reforma da previdência, a favor da tributária, contra o cercamento da redenção, a favor do desarmamento e assim por diante. Estudar a questão? Pra quê?
É preciso entender que todas essas questões têm incontáveis nuanças em suas entranhas, exigem constantes questionamentos e reformulações de raciocínio, às vezes mudando de idéia sobre um tema.
Admitir que não se domina uma matéria ou que não se tem opinião formada é muito mais digno é honesto para consigo mesmo e para com aquele que se obriga a ouvir nossas incontinências verbais como "eu não gosto porque eu não gosto" do que ter que admitir, constrangido, que estava a falar bobagem ou insistir na asneira com um clássico "mas é isso que eu acho".
posted by: fsp | 09:41
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