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Friday, December 31
O Governo Rigotto, que vinha se destacando por sobreviver em meio a uma situação caótica do Estado – em estágio pré-falimentar, o ápice de uma situação de crescente crise, sempre descurada pelos nossos mandatários –, deu um tiro no próprio pé e fez o que de pior poderia ser feito. Garantiu um aumento irrisório ao funcionalismo público às custas de um aumento oneroso ao setor produtivo e à sociedade rio-grandense em geral.
É conveniente ressaltar o esforço realizado pela gestão de Germano Rigotto para evitar esse aumento, buscando a renegociação de dívidas tributárias e caça aos sonegadores desde o princípio do mandato, mas seu resultado fracassado jogou-o à eterna pergunta de nossos governantes (aumentar ou não aumentar?) e, infelizmente, à já corriqueira resposta.
É lamentável que a absoluta maioria de nossos “administradores” opte por estrangular seus cidadãos como medida-estanque à incompetência administrativa, adiando mais um pouco a bancarrota do Estado e potencializando seus efeitos.
Já no início do Governo Lula, fomos brindados com uma reforma tributária que acrescentou ao fardo dos contribuintes mais alguns pontos percentuais para pagar o inchaço do Estado e seus cargos de confiança. Com alguma demora, o Governo Rigotto segue o caminho e ataca aqueles que mantém nossa economia viva, a despeito da deprimente situação financeira do setor público.
Indiquem-se, pois, os motivos disso: a farsa do pacto federativo brasileiro (onde há uma gigantesca concentração de poder e recursos no Governo Federal), a pura nomeação política para cargos que demandam conhecimentos de administração e a condução desse trabalho da mesma forma.
Em meio a essa hecatombe, surge dos empresários desesperados a melhor sugestão que se ouviu entre tantas sandices. Um projeto estratégico de longo prazo, para otimizar os gastos e coordenar de forma eficiente o trabalho do Estado.
Se pensarmos no Rio Grande que queremos para o futuro, certamente será uma unidade federativa com autonomia, com uma indústria mais forte e capaz de gestar seus fundos de forma responsável, sem que se necessite onerar mais ainda o povo gaúcho.
Não obstante, o que podemos projetar na atual conjuntura é o agravamento da situação financeira do Estado, o enfraquecimento do âmbito privado e, como solução, mais aumentos de impostos.
posted by: fsp | 15:27
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Sunday, December 26
Todos aqueles que esperavam ansiosamente que o Governo Lula comprovasse sua incompetência administrativa foram contemplados com os resultados do primeiro ano do mandato. Muitos estão boquiabertos com os números positivos ao final deste ano, mas não devem iludir-se.
A inexperiência administrativa, o despreparo da equipe de governo e a nomeação de inúmeros “losers” companheiros foram o suficiente para um início caótico, apesar da existência de um consistente projeto de poder.
As peripécias de alguns ministros como Ricardo Berzoini e José Graziano davam indícios de um final glorioso para aqueles que não gostariam de ver o Brasil novamente nas mãos do PT. Brigas internas, inflação em alta, desemprego crescendo e banqueiros felizes apontavam para o fim.
Eis que a indústria se recupera, o desemprego cai e os empresários começam a reclamar. Sinais de um governo popular de sucesso? Absolutamente não. Os efeitos superficiais de recuperação podem ser facilmente explicados opostamente ao senso comum, mas o clima de euforia generalizada é que se constitui no elemento mais preocupante.
A “retomada econômica” é facilmente explicável pela teoria de ciclos econômicos e era previsível. Quer dizer que a indústria brasileira, apesar de estrangulada, ainda consegue fazer bom uso das oportunidades conjunturais. As queixas do setor produtivo devem-se justamente a esse estrangulamento.
Ao mesmo tempo, o Governo Federal lança mão de uma forte campanha de propaganda ufanista (e nisso eles são bons), que serve para encobrir novas trapalhadas, conflitos internos, amoralidade e desmascaramentos das demagogias desta administração.
Recentemente, o enterro do “Fome Zero” e as irregularidades do “Bolsa Família”, junto com a pesquisa do IBGE que desvelou a falácia da má alimentação dos pobres (que, em novo jogo de manipulação semântica, o governo batizou-a de “fome gorda”), foram preteridos em favor do “maior crescimento dos últimos dez anos” (possível pelo mínimo de sensatez que há na condução da política econômica em um clima de “fundo do poço”).
Por fim, surge a possibilidade de um novo golpe político (a exemplo do que fez FHC com a reeleição para si mesmo) através do prolongamento do mandato do Presidente. É, não estamos lidando com amadores...
Mas o Governo é de todo ruim? Nem tanto. Graças à esquizofrenia patriótica e a megalomania partidária, o Brasil tem ocupado algumas posições de relevo no cenário internacional, que podem vir a ser interessantes no futuro.
posted by: fsp | 05:45
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Sunday, December 19
Poema escrito no dialeto gaucho castelhano.
Apiándosé (el Jinete Fénix)
Yo nunca quise nacer,
Tampoco lo he pedido.
Con todo lo que he sufrido,
No he pensao en desistir.
Pero mismo co’l corazón partido,
Mi vida se va a seguir.
Un gaucho tan rudo
Perdido en el mundo,
Cansao de haraganiar,
No sabe si finca hondo,
O si sigue a caminar
Y a otros pagos hallar.
No sé si juí o si soy,
Si me quedo o si me voy.
Mas si puedo quedar y ricordar,
Tamién me puedo olvidar
Pa’ mi camino seguir.
Quedar es lo mesmo que vivir,
Aunque morir no es de todo malo.
Pues si me ato a un palo,
No puedo salir.
O si sigo a huir,
Muero sin tentarlo.
Naides quiere un gaucho acorbadao,
Pues ser guapo es mi destino.
Si no lo sabe le enseño,
Ya que soy un gaucho alsao.
Y aunque estea mamao,
No suelo a perder el tino.
Por vivir a lo ñandú,
No tiemblo frente al diablo.
Prefiero quedar ‘nel pago,
Sin llorar mi llanto,
Haciéndolé un canto.
Y ansí lo acabo.
posted by: fsp | 11:06
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Discutindo o quê?
Esta semana, a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro votou a proposição de um deputado a respeito do financiamento público para tratamentos de saúde que visem à conversão de homossexuais ao heterossexualismo. Muito além do resultado da votação, é interessante discutir o que é o homossexualismo, a possibilidade de sua reversão e a responsabilidade do Estado na cobertura dos custos desse processo.
Discussão antiga, que já mudou de rumo diversas vezes, a definição do homossexualismo como doença, opção sexual ou desvio de conduta, é indefinida e não apresenta qualquer segurança sobre a veracidade de tais proposições. Portanto, não é possível tomar qualquer um dos conceitos como definitivo ou acurado.
Quanto à possibilidade de “cura” do homossexualismo, há igualmente versões conflitantes sobre a eficácia dos “tratamentos”, tornando-se muito mais um debate ideológico entre laicos e religiosos do que de ciência propriamente dita. Não obstante, a necessidade de terapia psicológica não pode ser vista da mesma forma.
Pode-se considerar digno de análise qualquer sentimento que provoque desconforto ou insatisfação àquele que o sofre. Isso não excluiria o fato de sentir-se atraído por pessoas do mesmo sexo, como afirmam os “homossexualistas”.
Ao invés de apoiar uma “escolha” sexual (muito mais como luta política do que levando em consideração o próprio indivíduo), se uma pessoa se sente incomodada por tal realidade, tem todo o direito de buscar auxílio profissional para resolver seu conflito de forma frutífera, seja isso passar a fazê-lo sem culpa ou “corrigir” sua orientação.
No entanto, o papel do Estado nesse tipo de procedimento deve ser igual aos demais procedimentos relacionados à área médica. Havendo a opção de tratar-se em alguma instituição conveniada à rede pública de saúde, eis a contribuição financeira a ser feita pelo Governo, sem haver discriminação. Alguém que se sinta mal por ser gay ou por achar que Elvis vive tem o mesmo direito de procurar auxílio psicológico dentro do que já é oferecido a todos os cidadãos.
Ao invés de dar continuidade à política de achaque ao Estado, realizada por meio do eterno mal de criar leis para tratar de assuntos específicos desnecessariamente, uma visão panorâmica dos mecanismos já presentes na legislação simplificaria o trabalho dos legisladores e impediria o assalto ao dinheiro público para agradar a segmentos caolhos do eleitorado.
Publicado na Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul-RS)
posted by: fsp | 11:04
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