|
Thursday, February 26 Por que “el Che” não me apetece É comum ver pelas ruas, dezenas de jovens “socialistas”, trajados com camisetas estampadas com a mais célebre das fotos do rebelde comunista Ernesto Guevara. Alguns por mero impulso capitalista de “é fashion ter uma camiseta do Che, vou comprar”, alguns por reverência ao lado vitorioso (?) de uma causa fracassada e outros por motivos que Freud há de haver compreendido. Digo que, apesar de ser um jovem e ex-socialista, o Che não me atrai. O que temos de fatos concretos da vida desse tão-admirado argentino não é nada admirável. Um rastro de sangue em vários países, incluindo sua mania de fuzilar os companheiros que dele discordassem. Além de alguns (bons) poemas, é isso que o homem Guevara legou de tangível para a humanidade. Dentre as razões daqueles que lhe rendem homenagens mil – excetuando-se a necessidade psicológica por ídolos – está o culto a uma personalidade. E é bem possível que um homem que pregou que se “endurecesse sem perder a ternura”, tivesse algo de belo por dentro, que visse no matar apenas um dever, que se identificasse no outro. Todavia, quem, de perto, não é um pouco bom e um pouco ruim? Heróis e ídolos não passam de pessoas normais com um plus que outros julgam digno de louvor. Mesmo alguns dos maiores facínoras da História foram reconhecidos por aqueles que com eles conviviam como pessoas maravilhosas; bem como grandes personalidades morreram odiadas por seus familiares. Indago-me quem seria mais merecedor de seu sucesso entre seus fãs, se um assassino que pregava ou se um cantor de sucessos pop? Guevara nos deixou uma bela lição do que o fanatismo é capaz e alguns belos poemas. A..., citemos, Britney Spears, nos deixa diversas músicas de qualidade duvidosa, mas não fez mal a ninguém. Eu, pessoalmente, acho a Bit-bit mais bonitinha... Por fim, há quem veja em Che, o mérito de alguém que se doou plenamente àquilo em que acreditava. Vocês pensam nisso como um mérito? Eu não. Não posso exaltar um fanático que pressupõe que sua causa é justa o suficiente para legitimar a morte de semelhantes. Todo fanatismo só pode tornar-se prejudicial àqueles que não compartilham de suas idéias, sejam quais forem. Como disse Nietzsche, “a maior inimiga da verdade não é a mentira; mas a convicção”.
Publicado no jornal Gazeta do Sul (Santa Cruz do Sul-RS) posted by: fsp | 07:34 | comments (3) Financiamento público e lista? Comigo não! Ano vai, ano vem e as bravatas na política continuam as mesmas. Eu já vi alguém criar uma taxa PROVISÓRIA sobre as movimentações financeiras para ajudar a saúde e cri. Já vi alguém dizer que o dinheiro das privatizações sanaria parte da dívida e cri. Já vi alguém pregar que representava a moral e a ética na política e cri. Chega de ser idiota! Depois do recente episódio da Reforma Tributária, onde se dizia que ela desafogaria todo mundo, só vi os bolsos do senhor Waldomiro Diniz desafogados. O Estado do Rio Grande do Sul, que estava em estado pré-falimentar, foi definitivamente à bancarrota. E a reforma que centralizou mais ainda a arrecadação contribuiu com isso. Agora, além da proibição dos bingos - que além de causar um desemprego imediato de centenas de milhares de pessoas, certamente não acabou nem acabará com as operações de lavagem de dinheiro – aparecem mais duas soluções mágicas para o País, que seriam o financiamento público das campanhas e a votação por lista. Em um país onde a arrecadação de impostos beira o assalto ao contribuinte, defende-se a idéia de que usar o dinheiro público (alguém falou de onde sairá?) para custear campanhas eleitorais resolveria o problema das irregularidades nas mesmas. Anos atrás, talvez cresse que, pela providência divina, dar mais dinheiro àqueles que o desviam os faria pensar que já têm o suficiente e não valeria a pena desviar mais. Hoje não. Se grande parte do dinheiro arrecadado, diz-se, é desviado para caixas 2, ou omitido de prestações de contas, por que a sangria haveria de ser estancada pelo simples recebimento de dinheiro público? Estamos pressupondo um respeito pelo dinheiro do contribuinte? Não me parece que o dinheiro levantado pelo senhor Diniz tenha constado nas prestações de contas dos candidatos para quem “arrecadou”. Quanto à votação em listas, não deveria nem ser debatida em um país que diz viver sob uma democracia. Trata-se, simplesmente, de negar ao eleitor o direito de votar no candidato que preferir, passando às cúpulas de dirigentes partidários o poder de decisão sobre elas. Até prova em contrário, creio na diferença entre os seres humanos e que essa diferença seja o grande propulsor dos avanços da humanidade. Restringir as candidaturas a ordens burocráticas que devem passar pelo cunho da conveniência partidária significa relevar a segundo plano a importância que podem ter as idéias próprias e a identificação que essas possam ter junto ao eleitorado. Em suma, entre escolher dentre as propostas de um candidato (que são variadas entre candidatos de um mesmo partido), serei obrigado a optar pela legenda que menos me desagrade, caso nenhuma me agrade, e ela decidirá qual candidato merece meu voto.
Publicado no Jornal Agora (Rio Grande-RS) posted by: fsp | 07:33 | comments Monday, February 16 Czar Putin Na sexta-feira passada, Ivan Rybkin, o candidato presidencial russo que havia desaparecido por cinco dias e dito que havia apenas ido visitar parentes, afirmou em Londres que, na verdade, havia sido seqüestrado e que permaneceria fazendo sua campanha de fora do país até o fim das eleições. Acreditar ou não na versão de Rybkin é facultativo, tendo-se em vista que, de alguma maneira, os fatos deverão ser apurados – provavelmente – depois das eleições. É conveniente, contudo, apurar alguns fatos sobre o atual presidente russo, Vladimir Putin. O mandatário é o homem que restaurou a imagem da Rússia no cenário internacional, após os anos da figura tragicômica de Boris Yeltsin. Beira o ridículo querer comparar o papel do país no mundo em ambos os mandatos. Em comparação, a economia vive uma calmaria e as relações exteriores são de uma grande potência. Não obstante, a conduta de Putin à frente do Kremlin tem muito a ser questionado. Desde que assumiu, reavivou o conflito na Chechênia e tratou-o com mão-de-ferro – inclusive no episódio da morte de terroristas e reféns no teatro em Moscou –, abandonou o Protocolo de Kyoto – sem que houvesse os mesmos virulentos protestos quando da decisão estadunidense –, sob a arrogante justificativa de que “a Rússia é um país muito frio e um aquecimento de um ou dois graus não seria ruim” e, assim como os Estados Unidos, a Rússia está atrasada no cronograma de redução de seu arsenal nuclear. A ação contra Rybkin – se verdadeira – lembra muito as de um serviço de inteligência. Por isso, convém lembrar que Putin foi membro da extinta KGB soviética. E, também neste processo eleitoral, candidatos de oposição reclamaram recentemente do fato de Putin estar colocando a televisão estatal a serviço de sua reeleição, transformando em notícia qualquer fato político em que o presidente esteja envolvido. Até reuniões para tratar da campanha. Mas, tudo isso, de que nos interessa? Serve de alerta para países como o Brasil, que têm o hábito de fortalecer governantes até que se tornem ditadores. No Rio Grande do Sul, por uso da máquina estatal para perpetuar-se no poder, já se fizeram duas revoluções. posted by: fsp | 05:09 | comments Wednesday, February 04 Controle Externo no Executivo? Quando era guri, minha mãe me contou uma estorinha sobre dois homens que carregavam seus defeitos em mochilas. O que ia atrás, apavorava-se com a quantidade de defeitos do que ia à frente, mas não podia ver os seus próprios às costas. Ao que parece, a senhora Da Silva nunca contou essa alegoria ao seu filho Luisinho, ou, se contou, deve estar morrendo de vergonha dele. O ex-candidato à presidência, o mesmo que criticou continuamente a “falta de vontade política” daquele que viria a ser seu antecessor, merece dura reprimenda, pois, se criticava com propriedade, padece do mesmo mal; se não, foi irresponsável ao olhar apenas para a “mochila” de Fernando Henrique. Pois, esta semana, na abertura dos trabalhos do Judiciário, o chefe máximo da nação voltou a utilizar sua visão privilegiada sobre os defeitos alheios. A mesma que vem falhando freqüentemente na hora de analisar a maioria das áreas do Governo. Baseado na estória supracitada, seria conveniente meditar sobre os argumentos presidenciais para o tal controle externo do Judiciário. É verdade que há muita burocracia nesse poder? É claro que é. Exatamente como no mais burocrático dos poderes, aquele que não apenas a pratica como a incentiva e, agora, está dando inveja ao falecido Stalin pelo que está fazendo com os cargos públicos do País. O Executivo. É verdade que muitos juízes se enchem de arrogância e cegueira em virtude do cargo? Naturalmente. Eis uma triste conseqüência do poder em todas as suas formas. Como não será com aquele que é o homem mais poderoso do Brasil? Há corrupção no Judiciário? Infelizmente, há. Ao que sei, em nível absurdamente menor aqui no Rio Grande. Mas pensem em qual poder vocês acham que há, tradicionalmente, mais corrupção, se no Judiciário, no Legislativo ou no Executivo. Já está na hora de alguém denunciar a batalha travada pela Presidência da República para enfraquecer os demais poderes e centralizar decisões nas mãos da Santíssima Trindade (Lula, Dirceu e Palocci), como fizeram esta semana as associações que representam o setor elétrico. Um país onde o Parlamento está na mão do Executivo, por meio de trocas imorais por cargos, e os juízes estarão sob um controle de sei-lá-quem (provavelmente mais alguns companheiros que paguem dízimo ao Partido), o que temos é ditadura.
Publicado no jornal A Plat驡 (Santana do Livramento-RS) e DiᲩo Popular (Pelotas-RS) |
thanks to squidfingers for the background